Robson Ryu Yamamoto
2005
A Universidade:
Em abril de 2005 iniciei meu curso de Mestrado
na Universidade de Tsukuba, na área de
Agronomia – Laboratório de Fruticutura.
O tema principal da minha pesquisa seria “Estudo
da fisiologia da dormência da pêra
japonesa em condições adversas de
cultivo”. Este tema foi escolhido pois,
nas condições edafoclimáticas
do sul do Brasil, onde se encontram as regiões
produtoras desta fruta, as gemas - principalmente
as floríferas - não apresentam um
desenvolvimento normal devido a insuficiência
de frio, causada por um outono e inverno com temperaturas
não tão baixas, além da existência
de grande flutuação térmica.
Esse desenvolvimento anormal acarreta numa floração
desuniforme, resultando numa menor produtividade
e perda na qualidade dos frutos.
Já em abril foram preparados os materiais
que seriam utilizados no experimento. Mudas de
pereiras de 1 ano de idade foram transplantadas
em vasos plásticos. Até outubro
estas plantas ficaram em condições
naturais - ambiente externo, a partir de novembro
foram colocadas dentro de estufas após
receberem uma determinada quantidade de frio,
menor do que o necessário para uma floração
normal, sendo mantidos até o florescimento.
Enquanto isso, foram realizadas coletas periódicas
das gemas floríferas.
A partir de abril de 2006, quando inicia-se o
segundo ano do mestrado, serão realizadas
análises bioquímicas destes materias,
análise dos dados obtidos e que serão
usadas na confecção da tese de mestrado.
Com relação às aulas, são
necessários 30 créditos para receber
o título, escolhendo-se disciplinas de
acordo com o ano e trimestre. A quantidade de
disciplinas tem sido de 2 a 4 por trimestre, além
dos seminários – na qual o aluno
precisa apresentar um trabalho científico
com um tema relacionado a sua pesquisa - e reuniões
do Laboratório e Departamento, onde apresenta-se
os dados e progressos da sua pesquisa.
As aulas, em nível e conteúdo, têm
variações. De uma maneira geral
os professores não apresentam uma didática
muito elaborada. Porém o detalhe que mais
marcou foi o fato dos alunos, no caso os japoneses,
não exporem suas opiniões, questionarem
ou debaterem sobre o conteúdo ministrado.
Não há muita iniciativa por parte
dos alunos pois não lhes são exigidos,
e isso acontece em toda vida escolar neste país,
de uma maneira geral.
O Laboratório de Fruticultura da Universidade
de Tsukuba era composta, em 2005, de 3 professores,
3 pesquisadores Pós-Doutorandos, 5 alunos
de Doutorado, 3 alunos de Mestrado, 1 aluno-pesquisador,
4 alunos de Graduação, dos quais
10 eram estrangeiros. O idioma oficial é
o inglês, tanto nas apresentações
quanto no dia-a-dia. Os seminários e reuniões
são bastante produtivas, pois há
grande participação dos alunos e
professores, com diversas trocas de experiências,
críticas construtivas e sugestões
na condução dos experimentos.
A vida no Japão:
A própria Universidade de Tsukuba tem no
seu quadro de alunos grande quantidade de alunos
estrangeiros. Uma reportagem no Jornal Asahi,
de abril/2005 mostrou que esta Universidade era
a quarta com maior quantidade de alunos estrangeiros,
com cerca de 1.200. A cidade, construída
para abrigar os mais de 100 institutos de pesquisa
públicos e outros 300 privados, está
“acostumada” a lidar com estrangeiros,
fato pouco comum no Japão. Existem atualmente
cerca de 25 brasileiros estudando na Universidade,
e sempre estamos nos reunindo para conversarmos
em português, matarmos a saudade do Brasil,
falarmos das nossas experiências.
A bolsa de estudos da Nippon Zaidan permitiu-me
escolher um ótimo apartamento para morar,
numa localização privilegiada. Por
estar longe dos grandes centros urbanos, o custo
de vida é relativamente barato, e a qualidade
de vida elevada.
Dificuldades:
Uma das maiores dificuldades encontradas neste
primeiro ano de bolsa da Nippon Zaidan talvez
esteja relacionada com o idioma. Não encontro
maiores dificuldades na utilização
da língua japonesa na conversação
do dia-a-dia, porém a leitura e escrita
está exigindo mais empenho e dedicação.
Meu nível de inglês, tanto na fala,
escrita e leitura, também encontra-se muito
baixa.
2004
Meu nome é Robson Ryu Yamamoto, de nacionalidades
brasileira e japonesa, formado em Engenharia Agronômica
pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) –
Campus de Botucatu, e participante da Bolsa de
Estudos “Nikkei Scholarship”, oferecido
pelo “The Nippon Foundation”. Cheguei
ao Japão no dia 15 de janeiro de 2005,
e entre os dias 2 e 3 de fevereiro prestei a prova
para o curos de Mestrado na University of Tsukuba,
na Província de Ibaraki. Iniciei o curso
de mestrado na área Fisiologia da Fruticultura
em abril.
Escolhi a University of Tsukuba pelo fato do meu
orientador, o Professor Hiroshi Gemma, ser um
dos respeitados na área, pela estrutura
física que esta Universidade oferece aos
alunos, pelo fato de já conhecer a cidade
de Tsukuba e alguns dos brasileiros que nesta
Universidade estudam. O fato de ter estado no
Japão durante um ano, como bolsista da
JICA em 2002, ajudou-me na rápida adaptação
ao ritmo de vida japonês, sem falar que
o fato de saber um pouco de japonês torna
tudo mais fácil. Além disso, o apoio
recebido pela “The Nippon Foundation”
e pela “Kaigai Nikkeijin-kyokai” está
sendo de suma importância para o bom andamento
das atividades.
O Laboratório de Fruticultura desta Universidade
compõe de 13 pós-graduandos, dos
quais 11 são estrangeiros. O convívio
diário com pessoas de diversos países
do mundo (Thailand, Philipine, South Korea, Nepal,
Kenya, Ecuador) me permite praticar o inglês
(língua oficial do Laboratório),
e principalmente o contato com culturas de todos
estes países. Segundo reportagem do jornal
“Asahi Shimbum” de março deste
ano, a University of Tsukuba é o 4? destino
dos estudantes estrangeiros no Japão (depois
das Universidades de Tokyo, Kyoto e Kyushu).
Neste ano de 2005 estudam nesta Universidade mais
de 20 brasileiros, desde Graduação
até Pós-Doutorado, e frequentemente
nos reunimos para matarmos saudade do Brasil e
trocar experiências. Tsukuba é uma
cidade projetada em função desta
Universidade e dos diversos Centros de Pesquisa
existentes, o que de certa forma lembra uma cidade
brasileira, com vias largas e muita área
verde, algo raro na maioria das cidades japonesas.
Título
“Estudo da fisilogia da dormência
da pêra japonesa em condições
adversas de cultivo”.
Introdução
A pêra japonesa “Nashi”,
uma planta frutífera temperada, quando colocada
sob condição tropical ou subtropical,
resulta em plantas debilitadas. O fator mais crítico
é a falta ou deficiência do suprimento
da necessidade de frio para a quebra da dormência,
resultando numa fraca quebra da dormência das
gemas, abortamento das gemas e fraco desenvolvimento
foliar, dentre outras anormalidades fisiológicas.
O “abortamento de gemas” é um distúrbio
fisiológico observado em diversos locais do
mundo, como Bélgica, Nova Zelândia e
Brasil, entre outros.
Problema no Brasil
A produção da pêra
japonesa “Nashi” no Brasil é recente,
com pouco mais de 10 anos de história, mas
tornou-se uma cultura de grande interesse econômico
principalmente nas colônias japonesas dos Estados
do Sul do Brasil. Trata-se de uma cultura que necessita
de intensa utilização de mão-de-obra
especializada, com produção em pequena
escala. Infelizmente as condições edafoclimáticas
desfavoráveis impedem um maior incremento na
produção. A condição de
inverno ameno faz com que as gemas florais não
consigam suprir sua necessidade de frio necessárias
para a quebra total da dormência, o que impede
uma floração abundante. Além
da menor quantidade de flor, a floração
desuniforme resulta num desenvolvimento também
desuniforme dos frutos.
Objetivo
A primeira etapa tem como objetivo colocar
plantas de pêra japonesa em condições
ambientais japonesas e em condições
de ambiente controlado, na qual pretende-se utilizar
dados climáticos de temperatura do sul do Brasil,
e observar as diferenças fisiológicas
e bioquímicas entre eles.
A segunda etapa consistirá em buscar métodos
alternativos para suprir as condições
edafoclimáticas desfavoráveis para esta
cultura, através de tratos culturais como poda,
adubações complementares, manejo hídrico,
objetivando aumentar a porcentagem de florescimento,
e assim elevar a produção.
Cronograma de atividades
- Abril/05~Setembro/05: Preparo dos materiais
em vaso, coleta dos dados climatológicos de
temperatura do Sul do Brasil;
- Setembro/05~Novembro/05: Colocação
dos materiais em vaso no campo aberto, na estufa e
casa de
vegetação;
- Novembro/05~Janeiro/06: Acompanhamento das alterações
fenológicas dos materiais;
- Janeiro/06~Março/06: Coleta das gemas e congelamento
em nitrogênio líquido para posterior
análise bioquímica dos compostos. |